Pluribus

CRÍTICA

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Viver em um mundo regido por honestidade e igualdade absolutas pode soar ideal na teoria, mas, na prática, ironicamente entra em choque com a própria natureza humana, ainda mais quando essa proposta parte da mente de Vince Gilligan, o criador de "Breaking Bad" e "Better Call Saul". É justamente a partir desse paradoxo que "Pluribus" constrói seu universo e encontra sua maior força.

Sua dinâmica com a mente coletiva interpretada por Zosia funciona muito bem, rendendo diálogos afiados e reflexivos, que elevam o nível da série. Já Carlos-Manuel Vesga, como Manousos, chega de forma discreta, mas logo se revela essencial, funcionando como uma personificação da humanidade em conflito com sua própria identidade, longe de qualquer conto de fadas. O principal problema de "Pluribus" está no ritmo. Em muitos episódios, a narrativa se torna excessivamente lenta, com poucos acontecimentos realmente cruciais para o avanço da história, o que pode cansar. No entanto, o peso temático, os debates levantados e as múltiplas interpretações possíveis sobre o mundo fictício e o real acabam minimizando esse impacto negativo.

Ao final, a série deixa mais perguntas do que respostas, aumentando a ansiedade por uma nova temporada. "Pluribus" é uma ótima série, especialmente quando assistida em grupo, justamente por incentivar discussões profundas sobre uma temática tão instigante quanto necessária.

Nota : 9,0 | 10

A série trabalha muito bem esse conceito, colocando o espectador em constante dúvida sobre o que faria em diversas situações, especialmente quando comparadas com o mundo atual, tão marcado pela desigualdade. Não há respostas fáceis, e essa inquietação é um dos motores da narrativa.
Rhea Seehorn está excelente como Carol, conseguindo provocar simpatia e antipatia na mesma medida, um feito difícil, mas executado com precisão.